sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Parir poesias

Eu nunca gostei muito de poemas e poesias. Eu nem mesmo entendo direito a diferença entre um e outro. Mas sempre quis escrever algo no estilo. E nunca consegui. Pensando melhor agora, talvez essa frustração seja o principal motivo da minha falta de amor por poesias/poemas.

Deixem que eu diga em minha defesa que minha dificuldade está em passar para o papel o que penso. Na cabeça elas surgem, aos trancos e barrancos, despedaçadas, uma parte de uma aqui, um teco de outra ali. Mais ou menos como nos meus contos, crônicas e romances, com a diferença que estes são (muito) mais fáceis de amarrar.

Hoje mesmo, lá pelas cinco horas, uma rima começou a espremer-se entre outros pensamentos. Quando eu digo “hoje”, na verdade estou me referindo ao dia 25 de setembro, uma semana atrás, quando comecei a parir essa coisa. Começava assim:

Quando disse que amaria por nós dois,
Eu estava enganado.
Ou demonstra teu amor agora,
Ou estará tudo acabado.

Simples. Brega, alguém diria. Mas minha, afinal. Fiquei ruminando essas palavras por mais uma meia-hora e desisti de prosseguir. Mais uma pra gaveta. Não seria a primeira nem a última, suponho. Mais tarde, fui tomar meu café matinal e, no caminho, voltei a pensar naquele arremedo de poesia. De segunda a sexta tomo café da manhã no mesmo lugar, em frente a empresa onde trabalho. É um lugar movimentado e, chegando lá, reparei no carro de placas brancas estacionado em frente. Creio que todos saibam, e se alguém não souber que saiba agora, que placas brancas em um carro significam que aquele veículo é de algum órgão do governo. Na porta do motorista as palavras que me levaram a escrever esta entrada do blog:

Prefeitura de Santiago
Terra dos poetas

Não tenho certeza se acredito em coincidências, destino ou livre arbítrio, mas uma coisa dessas não poderia passar em branco. Fazer uma poesia passou a ser ponto de honra.

Uma semana depois…

Maldita hora que eu disse ser ponto de honra. Sofri a semana inteira tentando levar a cabo essa missão. Não sei se consegui, mas pelo menos tenho algo a mostrar. Julgue por si mesmo:

Quando disse que amaria por nós dois,
Eu estava enganado.
Ou demonstra teu amor agora,
Ou estará tudo acabado.

Nunca voltará a acontecer
Todas as coisas que jamais fizemos.
Ficará tudo esquecido,
Risos, planos, sonhos e desejos.

Uma surpresa agradável me deslumbra,
Ao olhar o céu estrelado,
Quando vejo você refletida na lua.

Sigo caminhando ainda em penumbra,
Mas com o coração renovado
Sigo feliz, esperando a resposta sua.