domingo, 27 de dezembro de 2009
Eragon
Eragon é o nome do personagem principal, um jovem agricultor que não conheceu seus pais e foi criado por tios em um lugar isolado no mundo. Onde já ouvi essa história antes? Bem, Luke... digo, Eragon acaba por encontrar um certo objeto que viria a mudar sua vida. Logo no início do livro ele recebe a ajuda de um velho, que muitos consideram louco pelas histórias que conta, após seus tios serem mortos por soldados do... Império.(!) Sério, tenho certeza que já ouvi essa história...
O livro é recheado de clichês, não só já vistos em Star Wars, como também em Tolkien e quase todas as mesas de RPG de fantasia. Mas isso não torna a história ruim. Pelo contrário, trás um certo ar de familiaridade e faz com que o leitor reconheça imediatamente as emoções envolvidas nas situações. O texto é leve e fácil de ler, mas em certos momentos chega a ser simplório. No que se refere ao estilo, o que mais me incomodou foram os nomes. Fica a impressão, para mim, que alguns ficaram forçados, típicos nomes de personagens de RPG ou gerados por tabelas aleatórias. Fica estranho, mas não chega a por o trabalho a perder.
Quanto a história: é boa. Temos o típico herói que caiu de pára-quedas em uma situação complicada, o mentor que irá ajudá-lo a lidar com essa nova realidade, um povo oprimido que clama por um libertador, intrigas, duelos, exércitos em combates épicos e a chama de uma esperança. Ah, e temos também, é claro, a razão de ser dessa história: dragões! Ou melhor, um dragão. Apesar de estarem presentes como parte fundamental da história, os dragões estão extintos a época em que tudo ocorre, mortos pelo rei usurpador e seus asseclas. E é exatamente o nascimento de um novo dragão que funciona como propulsor da aventura. Acho que essa é a parte mais original de todo o livro, o autor consegue explorar bem o desenvolvimento de um dragão nascido em um mundo sem iguais e o seu relacionamento com o humano Eragon. É quase impossível não sorrir quando o dragão responde ironicamente pela primeira vez ou dá uma primeira demonstração de ciúmes.
Colocando na balança, Eragon traz um texto de fácil leitura, envolvente na maior parte do tempo, mas com alguns (poucos) pontos baixos. Talvez não vá para o topo da lista, mas com certeza é um livro que eu recomendo para quem gosta do estilo.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
O sétimo barco a chegar em Darama
Apesar das dificuldades, o vilarejo já avançava em direção a tornar-se uma cidade. Não que alguém acreditasse que aquele deserto poderia gerar frutos ou que algum tipo de animal pudesse ser criado em larga escala. Era em seu subsolo que estava sua riqueza. Vastas cavernas, naturais ou sendo construídas pelos homens, já estavam sendo exploradas para obtenção de minérios e pedras preciosas. É claro que a montanha central do continente tem jazidas tão ou mais ricas, mas também tem anões ferozes dispostos a defender seu território com a vida. O Imperador Kruzac mantinha relações diplomáticas relativamente pacíficas com Thais, mas o monopólio dos anões sobre as jazidas de Kazordoon jamais seria negociável.
Mas Darama não é um lugar de todo ruim. Existem oásis. E sempre há a esperança de que além das montanhas o clima seja mais ameno.
- Veja, Kay, o barco com os novatos chegou! – o homem de baixa estatura, pele queimada e roupas surradas vibrava ao apontar o porto. – Vamos! Quero deixar esse maldito deserto o quanto antes.
- Mas, Mallo, o capataz deu ordens específicas de sondar o que tem além dessas montanhas. Ainda faltam uns trinta metros até o topo e sabem os deuses lá quanto teremos que andar entre essas rochas antes de chegar a algum lugar...
- Ora, esqueça essas ordens, homem! Em quase um ano ninguém passou esse paredão. Faltou água, faltou comida, por vezes faltou caminho depois de um desmoronamento. Alguns nem voltaram. Você acha mesmo que estou preocupado com o que tem atrás desses pedregulhos? Provavelmente é só mais areia. Eu quero mais é rever meu filhote, antes que ele esqueça a cara do pai. Vamos!
Kay viu seu companheiro começar a descer a encosta, meio andando, meio escorregando, e olhou desanimado para o topo da montanha. Ele mal tinha indícios de barba em seu rosto, ainda não tinha esposa ou filhos. Mas tinha uma família. Tinha um pai e uma mãe que esperavam por notícias suas. Com um suspiro, virou as costas para a montanha e começou a descer.
Trinta metros acima, dois homens cobertos com roupas pesadas dos pés a cabeça, deixando apenas uma parte do rosto a mostra, relaxaram a guarda enquanto observavam Kay e Mallo se afastarem. Ambos empunhavam estranhas espadas de lâmina curva, prontos para atacar assim que os dois homens ultrapassassem o pico da montanha. Ficaram algum tempo observando o porto ao longe, a chegada de novos trabalhadores e de suprimentos.
- Devíamos juntar um grupo grande e atacar.
- Ver e não ser visto. Apenas isto. Essas foram as ordens do grande Faraó. E é o que faremos.
- Mas logo será impossível expulsa-los.
- Ver e não ser visto.
- ...
- Você é impaciente. O Faraó já deve ter pensado no que fazer. Vamos, temos que nos reportar e informar o que vimos. Sem sermos vistos.
- Muito engraçado.
E os dois começaram a se afastar entre as rochas, usando caminhos imperceptíveis a olhos destreinados.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Parir poesias
Eu nunca gostei muito de poemas e poesias. Eu nem mesmo entendo direito a diferença entre um e outro. Mas sempre quis escrever algo no estilo. E nunca consegui. Pensando melhor agora, talvez essa frustração seja o principal motivo da minha falta de amor por poesias/poemas.
Deixem que eu diga em minha defesa que minha dificuldade está em passar para o papel o que penso. Na cabeça elas surgem, aos trancos e barrancos, despedaçadas, uma parte de uma aqui, um teco de outra ali. Mais ou menos como nos meus contos, crônicas e romances, com a diferença que estes são (muito) mais fáceis de amarrar.
Hoje mesmo, lá pelas cinco horas, uma rima começou a espremer-se entre outros pensamentos. Quando eu digo “hoje”, na verdade estou me referindo ao dia 25 de setembro, uma semana atrás, quando comecei a parir essa coisa. Começava assim:
Quando disse que amaria por nós dois,
Eu estava enganado.
Ou demonstra teu amor agora,
Ou estará tudo acabado.
Simples. Brega, alguém diria. Mas minha, afinal. Fiquei ruminando essas palavras por mais uma meia-hora e desisti de prosseguir. Mais uma pra gaveta. Não seria a primeira nem a última, suponho. Mais tarde, fui tomar meu café matinal e, no caminho, voltei a pensar naquele arremedo de poesia. De segunda a sexta tomo café da manhã no mesmo lugar, em frente a empresa onde trabalho. É um lugar movimentado e, chegando lá, reparei no carro de placas brancas estacionado em frente. Creio que todos saibam, e se alguém não souber que saiba agora, que placas brancas em um carro significam que aquele veículo é de algum órgão do governo. Na porta do motorista as palavras que me levaram a escrever esta entrada do blog:
Prefeitura de Santiago
Terra dos poetas
Não tenho certeza se acredito em coincidências, destino ou livre arbítrio, mas uma coisa dessas não poderia passar em branco. Fazer uma poesia passou a ser ponto de honra.
Uma semana depois…
Maldita hora que eu disse ser ponto de honra. Sofri a semana inteira tentando levar a cabo essa missão. Não sei se consegui, mas pelo menos tenho algo a mostrar. Julgue por si mesmo:
Quando disse que amaria por nós dois,
Eu estava enganado.
Ou demonstra teu amor agora,
Ou estará tudo acabado.Nunca voltará a acontecer
Todas as coisas que jamais fizemos.
Ficará tudo esquecido,
Risos, planos, sonhos e desejos.Uma surpresa agradável me deslumbra,
Ao olhar o céu estrelado,
Quando vejo você refletida na lua.Sigo caminhando ainda em penumbra,
Mas com o coração renovado
Sigo feliz, esperando a resposta sua.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Ora, ouvir estrelas…
Quando os Cavaleiros do Zodíaco passou a ser exibido no Brasil, na extinta rede Manchete, eu procurei aprender um pouco mais sobre constelações, assim como quase todos pré-adolescentes da época. Não que eu tenha me aprofundado no assunto, mas li algumas coisas interessantes. É engraçado saber que a regra para se determinar quais estrelas fazem parte de uma constelação é não existir regras. O que ficar ‘mais bonitinho’ tá valendo. Aviso aos mais chatos: falo aqui de constelação segundo o senso comum, de um conjunto de estrelas formando uma figura. A astronomia que fique com a definição dela.
Mas era frustrante olhar para o céu estrelado e tentar achar aqueles desenhos, tão óbvios nos livros, mas impossíveis de se ver na vida real. Porém havia um que era claríssimo aos meus olhos. Um gigante destacado contra o negrume do céu: Órion, o caçador.
Não sei exatamente o que aconteceu. Talvez tenha sido a época da minha vida, as descobertas, os sonhos e esperanças. Talvez tenha sido meu caráter solitário e criativo. Mas o fato é que a identificação foi imediata, eu adotei a constelação de Órion como a minha constelação. Chegava a ser chato explicando pra todo mundo como ver aquele caçador…
Outra coisa que deve ter contribuído para meu fascínio era a falta de uma lenda que contasse a história do caçador. Ou melhor, a falta não, mas o excesso. São tantas versões de seu nascimento, vida e morte, que alguém criativo poderia facilmente adaptar a história para sua visão. Um prato cheio pra mim.
Comecei mudando a figura mesmo. Se uma constelação é um punhado de estrelas formando um desenho imaginado por homens, então eu também poderia imaginar minha versão. Tirei o bastão e a cabeça de leão da figura e no lugar coloquei-o empunhando um arco e mirando uma flecha. Me parecia mais refinado do que a força bruta do tacape. E sua posição era perfeita para essa arma…
Quanto a sua história, eu gosto da versão que lhe da a paternidade de Poseidon e a maternidade de uma humana, tornando-o um herói grego clássico. E um pioneiro, pois já caminhava sobre as ondas muito antes de Jesus…
E sua morte foi pelas mãos daquela que o amava. Artêmis, enganada por seu irmão Apolo, contrário aquela paixão, lançou uma flecha em um alvo quase imperceptível no meio d’água. A flecha certeira atingiu a cabeça de Órion, matando-o na hora. Muito poético e um resumo das armadilhas do amor. Irônico, eu diria, tão comum me parece a morte nas mãos de quem se ama…
Hoje o caçador estava excepcionalmente destacado no céu noturno. Em dezembro ele deve aparecer durante toda a noite, nascendo ao leste, logo após o crepúsculo (agora vão chegar as pretensas vampiras paraquedistas do google…). É o anúncio do verão, aproveite!
domingo, 20 de setembro de 2009
Tem alguém aí?
Ora, vejam! Esse blog ainda existe!
Lá se vão dois anos e meio desde a primeira – e única – postagem feita por aqui. Trinta meses exatos. Será que vale a pena retomar algo tão antigo?
Quando esse pseudoblog foi criado, a intenção era promover uma discussão saudável entre amigos sobre diversos temas. Mas eu mesmo não tive ânimo de levar adiante essa idéia. Sempre me pareceu artificial escrever sem ter um objetivo claro. E sempre me pareceu pedante escrever sobre si próprio. Mas é claro que novecentos dias mudam uma pessoa.
Por isso estou retomando esse canto da internet e mudando totalmente seu objetivo. Em primeiro lugar expulsei toda equipe além de mim. Agora esse muquifo é meu e somente meu. Vai ser praticamente um diário da Hello Kitty, RÁ! Em segundo lugar eu mudei meu nome de usuário para um fake, assim teria mais liberdade pra falar qualquer besteira. E, por fim, voltei atrás e coloquei meu nome verdadeiro. Afinal, quem vai ler isso aqui? Talvez um amigo ou outro. Quem sabe minha namorada (*-*). Na pior das hipóteses um paraquedista do google. E se tiver algo que eu não postaria usando meu nome real, é porque não vale a pena ser postado.
Nessas últimas cento e trinta semanas, muita coisa aconteceu. Coisas boas e coisas ruins. Acertei algumas vezes e errei outras. Mas considero tudo aprendizagem. Pelo menos eu avancei pra caramba, mesmo que parte do caminho tenha passado rolando no chão. Considero que atualmente sou mais feliz do que era em dois mil e sete. Tenho coisas e pessoas mais importantes comigo hoje.
Infelizmente parece que o mundo seguiu na contra-mão. Os problemas continuam os mesmos. No máximo, mudaram de nome. Pelo menos isso dá muito material sobre o qual escrever…
