Já fazia algum tempo que eu tinha curiosidade pela “Trilogia da Herança”, formada pelos livros “Eragon”, “Eldest” e “Brsinger”, de autoria de Christopher Paolini. Aproveitando uma promoção acabei comprando os três de uma vez. E, semana passada, acabei de ler o primeiro volume.
Eragon é o nome do personagem principal, um jovem agricultor que não conheceu seus pais e foi criado por tios em um lugar isolado no mundo. Onde já ouvi essa história antes? Bem, Luke... digo, Eragon acaba por encontrar um certo objeto que viria a mudar sua vida. Logo no início do livro ele recebe a ajuda de um velho, que muitos consideram louco pelas histórias que conta, após seus tios serem mortos por soldados do... Império.(!) Sério, tenho certeza que já ouvi essa história...
O livro é recheado de clichês, não só já vistos em Star Wars, como também em Tolkien e quase todas as mesas de RPG de fantasia. Mas isso não torna a história ruim. Pelo contrário, trás um certo ar de familiaridade e faz com que o leitor reconheça imediatamente as emoções envolvidas nas situações. O texto é leve e fácil de ler, mas em certos momentos chega a ser simplório. No que se refere ao estilo, o que mais me incomodou foram os nomes. Fica a impressão, para mim, que alguns ficaram forçados, típicos nomes de personagens de RPG ou gerados por tabelas aleatórias. Fica estranho, mas não chega a por o trabalho a perder.
Quanto a história: é boa. Temos o típico herói que caiu de pára-quedas em uma situação complicada, o mentor que irá ajudá-lo a lidar com essa nova realidade, um povo oprimido que clama por um libertador, intrigas, duelos, exércitos em combates épicos e a chama de uma esperança. Ah, e temos também, é claro, a razão de ser dessa história: dragões! Ou melhor, um dragão. Apesar de estarem presentes como parte fundamental da história, os dragões estão extintos a época em que tudo ocorre, mortos pelo rei usurpador e seus asseclas. E é exatamente o nascimento de um novo dragão que funciona como propulsor da aventura. Acho que essa é a parte mais original de todo o livro, o autor consegue explorar bem o desenvolvimento de um dragão nascido em um mundo sem iguais e o seu relacionamento com o humano Eragon. É quase impossível não sorrir quando o dragão responde ironicamente pela primeira vez ou dá uma primeira demonstração de ciúmes.
Colocando na balança, Eragon traz um texto de fácil leitura, envolvente na maior parte do tempo, mas com alguns (poucos) pontos baixos. Talvez não vá para o topo da lista, mas com certeza é um livro que eu recomendo para quem gosta do estilo.
domingo, 27 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
O sétimo barco a chegar em Darama
O sétimo barco a chegar em Darama, nome dado a nova ilha descoberta pelo reino de Thais, foi recebido com alegria. Finalmente os operários seriam substituídos por novos, e poderiam voltar ao continente e rever suas famílias. Quase um ano havia se passado desde o início da colonização, e as areias escaldantes do deserto não deixavam as coisas mais fáceis.
Apesar das dificuldades, o vilarejo já avançava em direção a tornar-se uma cidade. Não que alguém acreditasse que aquele deserto poderia gerar frutos ou que algum tipo de animal pudesse ser criado em larga escala. Era em seu subsolo que estava sua riqueza. Vastas cavernas, naturais ou sendo construídas pelos homens, já estavam sendo exploradas para obtenção de minérios e pedras preciosas. É claro que a montanha central do continente tem jazidas tão ou mais ricas, mas também tem anões ferozes dispostos a defender seu território com a vida. O Imperador Kruzac mantinha relações diplomáticas relativamente pacíficas com Thais, mas o monopólio dos anões sobre as jazidas de Kazordoon jamais seria negociável.
Mas Darama não é um lugar de todo ruim. Existem oásis. E sempre há a esperança de que além das montanhas o clima seja mais ameno.
- Veja, Kay, o barco com os novatos chegou! – o homem de baixa estatura, pele queimada e roupas surradas vibrava ao apontar o porto. – Vamos! Quero deixar esse maldito deserto o quanto antes.
- Mas, Mallo, o capataz deu ordens específicas de sondar o que tem além dessas montanhas. Ainda faltam uns trinta metros até o topo e sabem os deuses lá quanto teremos que andar entre essas rochas antes de chegar a algum lugar...
- Ora, esqueça essas ordens, homem! Em quase um ano ninguém passou esse paredão. Faltou água, faltou comida, por vezes faltou caminho depois de um desmoronamento. Alguns nem voltaram. Você acha mesmo que estou preocupado com o que tem atrás desses pedregulhos? Provavelmente é só mais areia. Eu quero mais é rever meu filhote, antes que ele esqueça a cara do pai. Vamos!
Kay viu seu companheiro começar a descer a encosta, meio andando, meio escorregando, e olhou desanimado para o topo da montanha. Ele mal tinha indícios de barba em seu rosto, ainda não tinha esposa ou filhos. Mas tinha uma família. Tinha um pai e uma mãe que esperavam por notícias suas. Com um suspiro, virou as costas para a montanha e começou a descer.
Trinta metros acima, dois homens cobertos com roupas pesadas dos pés a cabeça, deixando apenas uma parte do rosto a mostra, relaxaram a guarda enquanto observavam Kay e Mallo se afastarem. Ambos empunhavam estranhas espadas de lâmina curva, prontos para atacar assim que os dois homens ultrapassassem o pico da montanha. Ficaram algum tempo observando o porto ao longe, a chegada de novos trabalhadores e de suprimentos.
- Devíamos juntar um grupo grande e atacar.
- Ver e não ser visto. Apenas isto. Essas foram as ordens do grande Faraó. E é o que faremos.
- Mas logo será impossível expulsa-los.
- Ver e não ser visto.
- ...
- Você é impaciente. O Faraó já deve ter pensado no que fazer. Vamos, temos que nos reportar e informar o que vimos. Sem sermos vistos.
- Muito engraçado.
E os dois começaram a se afastar entre as rochas, usando caminhos imperceptíveis a olhos destreinados.
Apesar das dificuldades, o vilarejo já avançava em direção a tornar-se uma cidade. Não que alguém acreditasse que aquele deserto poderia gerar frutos ou que algum tipo de animal pudesse ser criado em larga escala. Era em seu subsolo que estava sua riqueza. Vastas cavernas, naturais ou sendo construídas pelos homens, já estavam sendo exploradas para obtenção de minérios e pedras preciosas. É claro que a montanha central do continente tem jazidas tão ou mais ricas, mas também tem anões ferozes dispostos a defender seu território com a vida. O Imperador Kruzac mantinha relações diplomáticas relativamente pacíficas com Thais, mas o monopólio dos anões sobre as jazidas de Kazordoon jamais seria negociável.
Mas Darama não é um lugar de todo ruim. Existem oásis. E sempre há a esperança de que além das montanhas o clima seja mais ameno.
- Veja, Kay, o barco com os novatos chegou! – o homem de baixa estatura, pele queimada e roupas surradas vibrava ao apontar o porto. – Vamos! Quero deixar esse maldito deserto o quanto antes.
- Mas, Mallo, o capataz deu ordens específicas de sondar o que tem além dessas montanhas. Ainda faltam uns trinta metros até o topo e sabem os deuses lá quanto teremos que andar entre essas rochas antes de chegar a algum lugar...
- Ora, esqueça essas ordens, homem! Em quase um ano ninguém passou esse paredão. Faltou água, faltou comida, por vezes faltou caminho depois de um desmoronamento. Alguns nem voltaram. Você acha mesmo que estou preocupado com o que tem atrás desses pedregulhos? Provavelmente é só mais areia. Eu quero mais é rever meu filhote, antes que ele esqueça a cara do pai. Vamos!
Kay viu seu companheiro começar a descer a encosta, meio andando, meio escorregando, e olhou desanimado para o topo da montanha. Ele mal tinha indícios de barba em seu rosto, ainda não tinha esposa ou filhos. Mas tinha uma família. Tinha um pai e uma mãe que esperavam por notícias suas. Com um suspiro, virou as costas para a montanha e começou a descer.
Trinta metros acima, dois homens cobertos com roupas pesadas dos pés a cabeça, deixando apenas uma parte do rosto a mostra, relaxaram a guarda enquanto observavam Kay e Mallo se afastarem. Ambos empunhavam estranhas espadas de lâmina curva, prontos para atacar assim que os dois homens ultrapassassem o pico da montanha. Ficaram algum tempo observando o porto ao longe, a chegada de novos trabalhadores e de suprimentos.
- Devíamos juntar um grupo grande e atacar.
- Ver e não ser visto. Apenas isto. Essas foram as ordens do grande Faraó. E é o que faremos.
- Mas logo será impossível expulsa-los.
- Ver e não ser visto.
- ...
- Você é impaciente. O Faraó já deve ter pensado no que fazer. Vamos, temos que nos reportar e informar o que vimos. Sem sermos vistos.
- Muito engraçado.
E os dois começaram a se afastar entre as rochas, usando caminhos imperceptíveis a olhos destreinados.
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